Escola de Redes

A escola é a rede

Na reunião do nodo SP em 12/2, coloquei uma visão que eu gostaria de deixar registrada e compartilhar com todos vocês.
Vejo redes sociais sem romantismo (tipo "lugar para fazer amigos"), e sim como uma matriz de modelos organizacionais que podem ser poderosos instrumentos de transformação social. Não são necessariamente "do bem". Os malfeitores as sabem utilizar muito bem (Al Qaeda, PCC, traficantes de drogas, armas e pessoas etc.). Estão por aí, em todo canto.
Nós, cidadãos e organizações privadas e públicas, é que estamos atrasados na apropriação desses conceitos para objetivos legítimos, e em grande parte esse atraso se deve à hegemonia da sabedoria convencional das teorias de administração que se aprende nas escolas. Só um exemplo: o ensino mais "moderno" que se faz hoje sobre gestão de projetos nas escolas de maior reputação é fortemente permeado por um neotaylorismo reducionista (o famoso PMBOK - Project Management Book of Knowledge é um caso extremo). Ou seja, os operadores da gestão empresarial na faixa dos 30 a 50 anos estão sendo formados, premiados e certificados com conceitos retardados, enquanto as máfias, incluindo as do nosso Legislativo, operam em redes de autocomplacência e levam ao descrédito a idéia de democracia e cidadania.

Dito isso, a proposta que pretendo explorar nos fóruns em que puder participar é a de que redes sociais fazem sentido para dar eficácia e eficiência a processos organizacionais e societais. E que, tais processos, se forem embasados em redes sociais e não em processos clássicos de divisão de trabalho, podem merecer ser chamados de processos inteligentes.

Exemplo na sociedade: processo de controle social da qualidade de atendimento dado pelos médicos de um convênio. Vejam o modelo "Patient Opinion" criado na Inglaterra., que transforma a humilhação individual em um rugido coletivo através de indicadores que servem para que cada um escolha seu médico. Vejo um desafio enorme pela frente na criação de tais processos na segurança pública, na gestão ambiental etc., com papéis a serem desempenhados por síndicos de condomínios, taxistas etc. Ou seja, a criação de uma governança democrática baseada em redes sociais.

Exemplo na empresa: processo de venda de cartões de crédito. Milhares de pessoas espalhadas cada uma numa agência de uma rede bancária podem estar unidas, aprendendo umas com as outras, através de uma rede social. No jargão das empresas, isso se chama comunidade de prática, e nesse caso tem uma coisa muito prática por trás: o desenvolvimento de competências para vender cartão de crédito.

Gostaria muito de discutir aqui essas especulações, e obter subsídios teóricos para torná-las mais robustas. Na vida profissional, estou priorizando casos em que eu possa por em prática essas idéias, e porisso estou buscando mais conhecimento sobre análise e gestão de redes sociais. Acredito que minha ênfase em gestão entre em choque com aqueles que apostam na emergência espontânea. Eu não aposto que ela seja suficiente, e sim que ela tenha uma grande energia potencial, mas que precisa de governança para se transformar em energia cinética.

Vou parar por aí.
Gostaria muito de ouvir vocês.
Aos poucos, neste ano, vou acrescentando aqui casos práticos nos quais estiver envolvido.
E no KM-SP, em agosto, provavelmente teremos uma mesa sobre isso.

Um forte abraço a todos
Sérgio Storch

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Respostas a este tópico

Vivianne, tudo isso é muito interessante e já tivemos boas discussões sobre o tema aqui, a última delas com o Boyle. O assunto, entretanto, é recorrente. Não se passa um mês sem que alguém questione a distribuição como desconstituição de centralização (hierarquia) argumentando que a hierarquia está presente em vários sistemas complexos et coetera.

A mesma palavra hierarquia é empregada em dois sentidos: no sentido da complexidade, da vetorização em sistemas não-humanos e das redes aninhadas dentro de redes é uma coisa; no sentido do poder vertical - literalmente, sacerdotal: hieros + arché - é outra coisa. Isso gera naturalmente uma confusão de conceitos, pois há zonas de sobreposição onde ambos se aplicam. O problema só surge quando alguns, para defender a segunda acepção ou dizer que ela é natural, inevitável, (hobbesianamente) imanente a vida humana em sociedade, lançam mão de exemplos da primeira acepção. Quando isso é involuntário, motivado pela existência de uma só palavra para designar conceitos distintos, vá lá. Mas quando é pensado...

Reproduzo aqui excertos do comentário ao post Vamos nos enganar? a propósito do mesmo assunto:

Há um risco semântico grave em usar a mesma palavra para designar conceitos distintos. Mesmo em sistemas não humanos a confusão se estabelece: o pássaro que ocupa o vértice de uma formação delta de vôo não indica a presença de hierarquia. Ele pode ser o 1%, mas - como você mesmo [Carlos Boyle] mostrou em um bom post aqui na E=R - ele pode ser qualquer um. Não lidera, não domina, não retem poder.

Insisto: o conceito de hierarquia foi deslizado ao ser naturalizado. Foi aplicado, por exemplo, para designar fenômenos físicos, físico-químicos, bio-físicos, bio-químicos onde se manifestam adaptações sistêmicas complexas para estabilizar fluições recorrentes. Foi aplicado até para explicar decaimentos de partículas e ordenação para posições de menor energia potencial. Qual é o problema? Nenhum, a menos que a evidência de sua incidência nesses sistemas não sirva de modelo, nem de metáfora, para absolver a hierarquia quando se manifesta nos sistemas sociais. É um jogo sutil onde o demônio (aquele que mora nos detalhes) de Maxwell acaba sendo uma espécie de "prova" do demônio de Sócrates...

Ah!... Organizações hierárquicas (stricto sensu) de seres humanos geram seres não-humanos, sim, no sentido "fraco" e no sentido "forte" do conceito. No sentido "fraco" geram entidades que não se constituem pela aceitação do outro e que, ao não validarem o outro em princípio, mas somente na medida em que ele for "um dos nossos", produzem separações que hierarquizam o multiverso das conexões ocultas que produzem o social. E no sentido "forte"... bom, neste sentido - como tantas vezes vemos - geram seres desumanos mesmo.




Vivianne Amaral disse:
Sérgio, a Amazônia é muito inspiradora, é um lugar onde se tem a sensação de ter ações inaugurais, desbravadoras.
Em relação à hierarquia nas redes assisti a poucos dias uma aula do professor NELSON FIEDLER-FERRARA, sobre Complexidade, Sistêmica e Holismo: Hipóteses Possíveis Acerca da Realidade e ele explicou um fenômeno que eu observava nas redes mas não consegui lidar com eles conceitualmente, já que um dos mantras do netweaving é que as redes são um sistema sem hierarquia. No entanto sempre percebi hierarquias de complexidade, e o professor Ferrara discorreu sobre o fenômeno, que foi conceituado por Francisco Varela (possivelmente entre outros, pois Capra já fala de redes dentro de redes). No link tem o pp e o audio da palestra
Sugiro que explore o material, é muito bom.
abraços


Sergio Storch disse:

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Augusto, com podemos então nominar este fenômeno das diferenças de complexidade e de escala em que redes ficam ou são abrangidas ou contidas por outras redes?
Acredito que a palavra hierarquia tem mais que um sentido usual, alguns com um conteúdo autoritário na interação entre os seres, outros relacionados com diferenças de complexidade por exemplo, a sequência: o rio, a bacia hidrográfica, o ecossistema, o bioma, o planeta, o sistema solar, o cosmos.
abraços

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Ainda não sei bem, Vivianne. Boyle já andou tentando outras denominações inteligentes. Inventar uma palavra nova não vai resolver o problema. Existe um problema? Sim, existe um problema e esse problema é o seguinte: usar o segundo sentido, deslizado, do conceito de hierarquia em sistemas não-humanos, para legitimar a hierarquia em sistemas humanos e sociais.

Até agora a única maneira eficaz - e radical - de desfazer essa perigosíssima confusão, foi a adotada por nosso amigo Humberto Maturana ao redefinir 'social' de uma maneira particularíssima. Veja a minha interpretação-resumo (de 2001), da sua visão:

O QUE FUNDA O SOCIAL

“A emoção fundamental que torna possível a história de hominização é o amor. Sei que pode parecer chocante o que digo, porém insisto: é o amor. Não estou falando do ponto de vista do cristianismo. Se vocês me perdoam, direi que, desgraçadamente, a palavra amor foi desvirtuada, a emoção que esta palavra conota foi desvitalizada, de tanto se dizer que o amor é algo especial e difícil. O amor é constitutivo da vida humana, porém não é nada especial. O amor é o fundamento do social, porém nem toda convivência é social. O amor é a emoção que constitui o domínio de condutas onde se realiza a operacionalidade da aceitação do outro como um legítimo outro na convivência – e é esse modo de convivência que conotamos quando falamos do social. Por isso, digo que o amor é a emoção que funda o social; sem aceitação do outro na convivência, não há fenômeno social.

Em outras palavras, digo que somente são sociais as relações que se fundam na aceitação do outro como um legítimo outro na convivência e que tal aceitação é o que constitui uma conduta de respeito. Sem uma história de interações suficientemente recorrentes, abrangentes e extensas, onde haja aceitação mútua em um espaço aberto às coordenações de ações, não podemos esperar que surja a linguagem. Se não há interações na aceitação mútua, produz-se separação ou destruição. Em outras palavras, se na história dos seres vivos existe alguma coisa que não pode surgir na competição, essa coisa é a linguagem.

Repito o que já disse: a linguagem, como domínio de coordenações condutuais consensuais de coordenações condutuais consensuais, somente pode surgir em uma história de coordenações condutuais consensuais – e isso exige uma convivência constituída na operacionalidade da aceitação mútua, num espaço de ações que envolve constantemente coordenações condutuais consensuais nessa operacionalidade. Como também já disse, isso deve ter ocorrido na história evolutiva de nossos ancestrais; o que sabemos sobre o seu modo de vida mais provável, há três milhões de anos, revela que já existia naquela época tal modo de vida.

Ademais, este modo de vida ainda se conserva em nós. Com efeito, ainda somos animais coletores, e isso fica evidente tanto no nosso comportamento nos supermercados [como nos sentimos à vontade recolhendo os produtos nas gôndolas e prateleitas] quanto na nossa dependência vital da agricultura; ainda somos animais compartilhadores, e isso fica evidente na criança que tira a comida da boca para dá-la a mãe, e no que sentimos quando alguém nos pede uma esmola; ainda somos animais que vivem na coordenação consensual de ações, e isso notamos pela facilidade com que nos dispomos a participar de atividades cooperativas, quando não temos um argumento racional para recusar; ainda somos do tipo de animais cujos machos participam no cuidado das crias, coisa que pode ser comprovada pela disposição dos homens para cuidar dos filhos, quando não têm argumentos racionais para desvalorizar tal atividade; ainda somos animais que vivemos em grupos pequenos, o que é evidente em nosso sentido de pertencer a uma família; ainda somos animais sensuais, que vivemos espontaneamente o tocar-se e acariciar-se, quando não pertencemos a uma cultura que nega a legitimidade do contato corporal; e, por último, ainda somos animais que vivemos a sensualidade no encontro personalizado com o outro, o que fica evidente pela nossa queixa quando isso não ocorre.

Porém, sobretudo, no presente da história evolutiva a que pertencemos, e que começou com a origem da linguagem – quando o estar na linguagem se fez parte do modo de vida que, ao conservar-se, constituiu a linhagem Homo a que pertencemos – somos animais dependentes do amor. O amor é a emoção central na história evolutiva humana desde seu início, e toda essa história se dá como uma história na qual a conservação de um modo de vida no qual o amor, a aceitação do outro como um legítimo outro na convivência, é uma condição necessária para o desenvolvimento físico, comportamental, psíquico, social e espiritual normal da criança, assim como para a conservação da saúde física, comportamental, psíquica, social e espiritual do adulto.

Num sentido estrito, os seres humanos nos originamos no amor e somos dependentes dele. Na vida humana, a maior parte do sofrimento vem da negação do amor: os seres humanos somos filhos do amor... Não estou falando como cristão, não me importa o que disse o Papa, não estou imitando o que ele disse, estou falando a partir da biologia. Estou falando a partir da compreensão das condições que tornam possível uma história de interações recorrentes suficientemente íntima para que possa ocorrer a ‘recursividade’ nas coordenações condutuais consensuais que constitui a linguagem” (Maturana, 1988c: 24-6) (n. i.).

Quando Maturana fala que “o amor é o fundamento do social”, ele está se referindo àquela “pegajosidade biológica” (cuja origem é associal) que funda o social, porquanto se manifesta como abertura e conservação de espaços de convivência que englobam vários indivíduos numa mesma proximidade, a partir do prazer da companhia, da simpatia, do afeto, da preferência, mas, fundamentalmente, pela aceitação do outro. “A emoção que funda o social, como a emoção que constitui o domínio de ações no qual o outro é aceito como um legítimo outro na convivência, é o amor” (Maturana, 1988c: 27). Destarte, “relações humanas que não estejam fundadas no amor... não são relações sociais. Portanto, nem todas as relações humanas são sociais, tampouco o são todas as comunidades humanas, porque nem todas se fundam na operacionalidade da aceitação mútua. Distintas emoções especificam distintos domínios de ações. Conseqüentemente, comunidades humanas fundadas em outras emoções, distintas do amor, estarão constituídas em outros domínios de ações que não serão o da colaboração e do compartilhamento em coordenações de ações que implicam a aceitação do outro como um legítimo outro na convivência, e não serão comunidades sociais” (Idem: 27-8).

Para Maturana, portanto, “os seres humanos não somos todo o tempo sociais; o somos somente na dinâmica das relações de aceitação mútua. Sem ações de aceitação mútua não somos sociais. Com efeito, na biologia humana, o social é tão fundamental que aparece a cada instante e por todas as partes” (Maturana, 1988d: 77).

Como vimos, nem todas as relações de convivência são relações sociais. Relações de trabalho, por exemplo, não são relações sociais. “É justamente porque as relações de trabalho não são relações sociais que se requer leis que as regulem. No marco das relações sociais não cabem os sistemas legais, porque as relações humanas se dão na aceitação mútua e, portanto, no respeito mútuo” (Maturana, 1988d: 78).

Da mesma forma, relações hierárquicas também não são relações sociais, porquanto “se fundam na negação mútua implícita, na exigência de obediência e entrega de poder que trazem consigo. O poder surge com a obediência e a obediência constitui o poder como relações de mútua negação. As relações hierárquicas são relações fundadas na sobrevalorização e na desvalorização que constituem, respectivamente, o poder e a obediência e, portanto, não são relações sociais... O poder não é algo que um ou outro indivíduo tem, é uma relação na qual se concede algo a alguém através da obediência – e a obediência se constitui quando alguém faz algo que não quer fazer, cumprindo uma ordem. O que obedece nega a si mesmo, porque, para salvar ou obter algo, faz o que não quer a pedido do outro. O que obedece atua com contrariedade, e na contrariedade nega o outro, porque o rejeita e não o aceita como um legítimo outro na convivência. Ao mesmo tempo, o que obedece nega-se a si mesmo ao obedecer, dizendo: ‘não quero fazer isso, porém, se não obedeço, me expulsam ou me castigam, e não quero que me expulsem ou castiguem’. Porém, o que manda também nega o outro e se nega a si mesmo ao não encontrar-se com o outro como um legítimo outro na convivência. Nega-se a si mesmo porque justifica a legitimidade da obediência do outro em sua sobrevalorização, e nega o outro porque justifica a legitimidade da obediência com a [ou a partir da suposição da] inferioridade do outro.

De sorte que as relações de poder e de obediência, as relações hierárquicas, não são relações sociais. Um exército não é um sistema social... [ainda que] entre os membros de um exército possam efetivar-se relações sociais” (Maturana, 1988d: 76-7) (n. i.).

Para concluir, Maturana diz que “os fenômenos sociais têm a ver com a biologia e que a aceitação do outro não é um fenômeno cultural. Além disso,” – prossegue – “sustento que o cultural, no social, tem a ver com a delimitação ou restrição da aceitação do outro. É na justificação racional dos modos de convivência onde inventamos os discursos ou desenvolvemos os argumentos que justificam a negação do outro” (Maturana, 1988d: 78).

As referências estão no meu ensaio Uma teoria da cooperação baseada em Maturana.

Abraços.

Vivianne Amaral disse:
Augusto, com podemos então nominar este fenômeno das diferenças de complexidade e de escala em que redes ficam ou são abrangidas ou contidas por outras redes?
Acredito que a palavra hierarquia tem mais que um sentido usual, alguns com um conteúdo autoritário na interação entre os seres, outros relacionados com diferenças de complexidade por exemplo, a sequência: o rio, a bacia hidrográfica, o ecossistema, o bioma, o planeta, o sistema solar, o cosmos. abraços

Responder esta

Queridos
Este post é tão denso de conceitos que eu me senti compelido a discuti-lo em outro lugar, para poder florescer, e deixar que a discussão de Processos Inteligentes também floresça. Qual é mesmo aquele conceito biológico que implica a competição entre duas árvores num mesmo espaço no qual o crescimento de ambas fica prejudicado?

Criei então um outro tópico: Discutindo o conceito de amor em Maturana. .
Fiz o que na doutrina emergente do "wiki way" tem se chamado de "gardening", o papel do jardineiro: tira a plantinha daqui e leva prali, onde tem mais terra e sol pra ela florir. Talvez o próprio "gardening" mereça um novo tópico.

Topam discutir o amor lá ou vamos continuar discutindo aqui?
Brincando: Se for para continuar discutindo aqui, fico com o sentimento do cachorrinho que fez xixi no poste, aí vem outro e eu preciso ir pra outra quadra e achar um outro poste. É brincadeira, mas é sério, hehehe.

E que tal abrir mais um tópico para o gardening?

Responder esta

Tudo bem em fazer também esta outra discussão, que pode ser, no fundo, a mesma, com outro approach. Citei o Maturana apenas para dizer que ao reconceitualizar de maneira radical o 'social', ele resolveu o problema a que me referi na discussão com a Vivianne. Meu ponto aqui não era propriamente o amor (na acepção de Maturana) e sim a idéia de que "relações hierárquicas não são relações sociais" (nesse particularíssimo sentido que Maturana atribui ao termo 'social', repito).

Mas volto ao problema. A mesma palavra (hierarquia) está sendo empregada para designar conceitos distintos e provocando confusão, às vezes propositalmente, por quem argumenta mais ou menos assim: "Tá vendo só! Tem hierarquia nas redes naturais ou físicas, aqui e ali, assim e assado. Logo, é natural que elas também existam nas redes sociais". Se a ciência não tivesse desmascarado os embustes, até hoje estaríamos alegando que os formigueiros têm chefes, que as abelhas têm rainhas (que se comportam como a realeza absolutista se comportava nas sociedades humanas), que os pássaros que voam em bando são sempre liderados por um deles, que é mais capaz do que os outros (a quele que vai lá na frente, numa formação delta, por exemplo), que os humanos são mais evoluídos do que as outras espécies (até a genial Lynn Margulis nos mostrar que todas as espécies são igualmente evoluídas).

Agora, para entrar nesta discussão que você propôs lá é necessário, primeiramente, considerar que Maturana não está falando de sentimentos. O amor para ele não é um sentimento. É uma emoção, quer dizer, uma disposição (biológica) para a ação.

Para não perder o fio da meada sugiro que você comece pelo próprio Maturana, em primeira mão mesmo. Uma abordagem conceitual, a meu ver, seria começar pelo texto O arcabouço teórico da biologia do fenômeno social.

Sergio Storch disse:
Queridos
Este post é tão denso de conceitos que eu me senti compelido a discuti-lo em outro lugar, para poder florescer, e deixar que a discussão de Processos Inteligentes também floresça. Qual é mesmo aquele conceito biológico que implica a competição entre duas árvores num mesmo espaço no qual o crescimento de ambas fica prejudicado?

Criei então um outro tópico: Discutindo o conceito de amor em Maturana. .
Fiz o que na doutrina emergente do "wiki way" tem se chamado de "gardening", o papel do jardineiro: tira a plantinha daqui e leva prali, onde tem mais terra e sol pra ela florir. Talvez o próprio "gardening" mereça um novo tópico.

Topam discutir o amor lá ou vamos continuar discutindo aqui?
Brincando: Se for para continuar discutindo aqui, fico com o sentimento do cachorrinho que fez xixi no poste, aí vem outro e eu preciso ir pra outra quadra e achar um outro poste. É brincadeira, mas é sério, hehehe.

E que tal abrir mais um tópico para o gardening?

Responder esta

Oi Augusto, bom domingo!

Que sensação boa a de estar com você nesse diálogo tão rico e amoroso, no sentido do Maturana, pois é emoção que me leva compulsivamente para a ação, hehehe!

Num momento de meta-aprendizado, ou seja, aprendizado sobre o próprio aprendizado, ou aprendizado de ciclo duplo (à la Argyris - já temos em nossa biblioteca?), faço as seguintes observações:

1. foi preciso você me trazer de volta ao ponto, o da relação hierarquia-poder versus outros usos do termo hierarquia, pois eu já tinha viajado para a discussão do conceito de amor, que foi pra outro canto.

2. uma apreciação estética sobre o belo hipertexto que estamos tecendo. Ou seja, que bela rede de temas está emergindo desta rede social. Ou seja, que estética fractal está emergindo desse cruzamento de temas e pessoas. Ou seja, como estamos navegando nessa biblioteca infinita e vertiginosa de Jorge Borges. Que vertigem que sinto ao dizer tudo isso sem ter o tempo para fazer os merecidos links para poder compartilhar o pensamento, que corre tão mais rápido do que nossa capacidade de registrar.

3. já deixando o meta, e entrando no foco. Aí quero problematizar as suas colocações sobre relações entre hierarquia e poder. Sim, trazendo para o âmbito do social, eu continuo enxergando hierarquias de poder em qualquer tipo de organização, e acho que não necessariamente esse poder está associado a dominação. Há sim, penso eu, uma hierarquia entre a andorinha que lidera a revoada em L e o resto do bando. Talvez possamos não chamá-la de hierarquia, mas há uma distinção de papéis. Uns são mais iguais do que os outros. Há a líder. A DIFERENÇA EM RELAÇÃO À BUROCRACIA não está em haver essa diferenciação de papéis, e sim em ser esse papel contingente e temporário, pois TALVEZ QUALQUER OUTRA andorinha possa assumir esse papel dentro de alguns minutos, quando nosso Fernão Capelo Gaivota se cansar. O TALVEZ aí é importante, pois acredito que não seja QUALQUER OUTRA, e sim algumas podem mais do que as outras, seja pela proximidade do vértice ou pelo vigor da juventude, ou por outro motivo qualquer. Ou seja, as diferenças individuais levam a assimetrias na dinâmica dessa estrutura.

Em termos teóricos: acredito que possamos aceitar a presença e importância da hierarquia contingente nas redes, e, em se tratando de redes HUMANAS, consequentemente o papel do LÍDER. Em termos de TRANSIÇÃO ORGANIZACIONAL, isso implica a importância de PROCESSOS de desenvolvimento de competências em liderança democrática, mas não obstante LIDERANÇA.

É uma multiplicidade de temas, e me coloco, como não poderia deixar de ser, na posição de aprendente ávido, querendo ouvir de quem sabe mais (ou melhor, de quem frequenta mais fontes do que eu, ou de quem frequenta melhor algumas das fontes que eu já frequento) o que já se pensou sobre cada uma dessas indagações.

De novo, acho que estamos num grande hipertexto. Em mais uma meta-observação, acho que chegamos ao limite do que esta ferramenta permite, e que o que nossa tecnologia atual nos oferece nessa fronteira é o wiki. Mas isso também é conversa para um outro tópico.

Um abração
Sérgio

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Vivi, uma das metáforas que vi e que acho que podem ajudar nessa nominação é a das camadas de casca da cebola. Conheci no livro do Nilton Bonder, "O segredo judaico de resolução de problemas". Tem muitas referências à Cabala.
Acho que a Lia Diskin e outros mestres em pensamento complexo devem ter uma nomenclatura para isso. Ei! você mesma me mandou o ppt do Nelson Fiedler. Vou olhar lá!

Um beijo
Sérgio

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Quem estudou o assunto percebeu que não funciona bem assim, caro Sérgio. Veja o livro do Boyle, aliás, editado com o selo da Escola-de-Redes, intitulado El siglo de la fraternidad. Se não tiver tempo, leia pelo menos este capítulo. A observação não valida a afirmação "algumas podem mais do que as outras, seja pela proximidade do vértice ou pelo vigor da juventude, ou por outro motivo qualquer". Há uma espécie de rodízio, para o qual não importam as diferenças individuais. É uma função coletiva. E por isso a afirmação que você faz também não autoriza a conclusão: "ou seja, as diferenças individuais levam a assimetrias na dinâmica dessa estrutura". E mesmo se levassem, assimetrias não significam hierarquia.

Sergio Storch disse:
Oi Augusto, bom domingo!

Que sensação boa a de estar com você nesse diálogo tão rico e amoroso, no sentido do Maturana, pois é emoção que me leva compulsivamente para a ação, hehehe!

Num momento de meta-aprendizado, ou seja, aprendizado sobre o próprio aprendizado, ou aprendizado de ciclo duplo (à la Argyris - já temos em nossa biblioteca?), faço as seguintes observações:

1. foi preciso você me trazer de volta ao ponto, o da relação hierarquia-poder versus outros usos do termo hierarquia, pois eu já tinha viajado para a discussão do conceito de amor, que foi pra outro canto.

2. uma apreciação estética sobre o belo hipertexto que estamos tecendo. Ou seja, que bela rede de temas está emergindo desta rede social. Ou seja, que estética fractal está emergindo desse cruzamento de temas e pessoas. Ou seja, como estamos navegando nessa biblioteca infinita e vertiginosa de Jorge Borges. Que vertigem que sinto ao dizer tudo isso sem ter o tempo para fazer os merecidos links para poder compartilhar o pensamento, que corre tão mais rápido do que nossa capacidade de registrar.

3. já deixando o meta, e entrando no foco. Aí quero problematizar as suas colocações sobre relações entre hierarquia e poder. Sim, trazendo para o âmbito do social, eu continuo enxergando hierarquias de poder em qualquer tipo de organização, e acho que não necessariamente esse poder está associado a dominação. Há sim, penso eu, uma hierarquia entre a andorinha que lidera a revoada em L e o resto do bando. Talvez possamos não chamá-la de hierarquia, mas há uma distinção de papéis. Uns são mais iguais do que os outros. Há a líder. A DIFERENÇA EM RELAÇÃO À BUROCRACIA não está em haver essa diferenciação de papéis, e sim em ser esse papel contingente e temporário, pois TALVEZ QUALQUER OUTRA andorinha possa assumir esse papel dentro de alguns minutos, quando nosso Fernão Capelo Gaivota se cansar. O TALVEZ aí é importante, pois acredito que não seja QUALQUER OUTRA, e sim algumas podem mais do que as outras, seja pela proximidade do vértice ou pelo vigor da juventude, ou por outro motivo qualquer. Ou seja, as diferenças individuais levam a assimetrias na dinâmica dessa estrutura.

Em termos teóricos: acredito que possamos aceitar a presença e importância da hierarquia contingente nas redes, e, em se tratando de redes HUMANAS, consequentemente o papel do LÍDER. Em termos de TRANSIÇÃO ORGANIZACIONAL, isso implica a importância de PROCESSOS de desenvolvimento de competências em liderança democrática, mas não obstante LIDERANÇA.

É uma multiplicidade de temas, e me coloco, como não poderia deixar de ser, na posição de aprendente ávido, querendo ouvir de quem sabe mais (ou melhor, de quem frequenta mais fontes do que eu, ou de quem frequenta melhor algumas das fontes que eu já frequento) o que já se pensou sobre cada uma dessas indagações.

De novo, acho que estamos num grande hipertexto. Em mais uma meta-observação, acho que chegamos ao limite do que esta ferramenta permite, e que o que nossa tecnologia atual nos oferece nessa fronteira é o wiki. Mas isso também é conversa para um outro tópico.

Um abração
Sérgio

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Voy a tratar de reseñar lo último (de estos días), sobre el tema.
Cualquier red que interactúa con el entorno tiene un punto de impacto con esa interactuación, por donde entra el impulso, la energía, la materia, la información a ser distribuida dentro de la red. En ese punto se establece, desde adentro de la red un gradiente ∆ con un vértice en un punto y un esquema de árbol hacia los puntos de distribución.
¿Establece esto jerarquía? Bueno creemos que tenemos la solución a este problema en una forma muy beta. Decíamos que más que jerarquías naturalmente se establecían “concurrencias” en función de las necesidades de la red, su demanda en función de las disponibilidades que se ofrecen desde la punta del diferencial y que habrán de distribuirse hacia adentro de una forma fractal.
Esto provoca una acumulación de los demandantes en función del punto de distribución, de forma tal que se establece una Power Law, en donde el nodo por donde entran las disponibilidades a la red se hace mucho mas concurrido que los otros, estableciéndose una jerarquía fractal en el sentido de dirección del gradiente de dispersión..
¿Qué diferencia habría entonces entre concurrencia y jerarquía? Le dimos muchas vueltas a la cosa y creo tener la respuesta. La diferencia es la alternancia. La concurrencia es variable, la jerarquía es estática, inamovible.

Imaginemos una olla donde estamos cocinando harina de maíz, polenta. Cuando comienza a hervir se producen globos que crecen, liberando luego el gas acumulado en su interior (vapor de agua) cuando explotan.
De la superficie de la polenta surgen estos globos, en diferentes lugares y tiempos, son concertaciones de vapor que hacen las vejigas, concurren aleatoriamente a cualquier lugar, luego se agrupan y se concentran formando una Power Law que termina reventando la pequeña capa de maíz que los contiene. Los puntos donde se forman son aleatorios como también el tiempo en que ocurre el fenómeno, PERO si solo ocurriesen en un mismo tiempo y lugar, se crearía un gran globo, un globo gigante.
La diferencia es la alternancia, si la red tiene la capacidad de variar la punta del diferencial, del vector distribuidor, estamos salvados, NO OCURRE LA JERARQUIZACIÓN. Solo hay concurrencia funcional al aquí y ahora del momento.
Si por el contrario una red se hace dependiente, y ojo con esto de uno o varios nodos FIJOS, estará presa de la jerarquía y de un esquema de poder.
De los tres gráficos de BAram uno es centralizado y necesariamente jerárquico. El otro es totalmente distribuido, lo que lo hace no jerárquico. El central, el policentralizado, puede ser jerárquico si los polos son fijos, si estos se van alternando, las jeraquizaciones son parciales y alternativas, una democracia ateniense.
Por lo que la desconstrucción de autocracia viene de la mano no solo de la descentralización sino tb de la ALTERNANCIA en el tiempo y en espacio de las posibles jerarquizaciones.
Prometo seguir desarrollando el tema

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Una ocurrencia:
Lo obvio a veces parese tonto sin serlo y quizás lo que vaya a decir sea una tontera, Pero leyendo las respuestas de Augusto, lo que me surge es que el problema de la jerarquía (o las jerarquías) es, probablemente, sólo un problema, un tema, una cuestión "humana".
Estamos "programados" para ver jerarquías, para buscarlas. Aprendimos a pensar en términos de jerarquías. El meta programa de aprendizaje que significa esta red sería dejar de pensar en términos de jerarquías, sacarse los anteojos de las jerarquías.
Imagino que cuando Viviane dice el río, el ecosistema, el planeta... se refiere a un cambio de foco, como jugar con el zoom de una cámara. Es simplemente un punto de vista, pero el sistema, la red, es siempre todo eso, todo a la vez, todo interconectado. Es el sistema de la vida, todo, con nosotros adentro, no con nosotros de observadores que lo miramos por TV.

Segunda ocurrencia:
Creo que hablar de alguna forma de liderazgo tampoco es útil. Yo retomaría el concepto que usamos los gestálticos que es el de "facilitador". Facilitador de un proceso y toma de contacto por parte de otra persona, para que ella misma pueda "darse cuenta" (y sólo si tiene ganas) de lo que quiere, necesita, etc. El facilitador no desea nada para el otro. No desea ningún tipo de cura, no procura ningún tipo de estado pre-definido como mejor o peor. El único que sabe o puede reconocer lo que necesita es la otra persona.
El facilitador ni siquiera se aproxima a lo que en el libro de La araña y la estrella de mar refieren como el catalizador. Porque el catalizador tiene una intención. Sin embargo, el facilitador aprende una manera de entrar en relación que necesariamente reniega del poder y la jerarquía. Sabe (y debe recordar) que no sabe ni sabrá nunca lo que el otro necesita. No es su tarea y no es sano promover algo para el otro, pues es reafirmar la idea de que hay alguien que sabe más, que es más poderoso, que es más sano o que la perfección es relevante. Eso sería reafirmar la patología de nuestra cultura autoritaria.
Me comprometo a busacar de nuevo en mis libros de Fritz Perls y otros para ver como retomo alguno de esos temas, ahora, desde la perspectiva de lo que aquí se trabaja.

Saludos para todos

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Bravo Boyle! Continue desenvolvendo essa linha de raciocínio. Bravo, Lia! Continue desenvolvendo também seu interessantíssimo ponto de vista. Pressinto que estamos construindo conhecimento novo na Escola-de-Redes. Abraços.

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Obrigada LIa, esclareceu algumas coisas. Talvez minha inquietação decorra de um vício mental de organizar e os recursos q tenho não dão conta da complexidade que vivencio. De qualquer forma gostaria de entender como fenômenos de qualidades diferentes se relacionam num mesmo sistema. As diferenças podem ser vistas como decorrentes da escala, decorrentes do ponto de vista, do lugar/ distância de onde olho, mas como se relacionam?
Na palestra que assisti, o professor Ferrara coloca que nos sistemas complexos temos níveis hierárquicos de organização, nos quais a relação pode ser arborescente ou circular, veja:

Sistemas complexos

São sistemas em que:
Identificam-se níveis hierárquicos de organização (por exemplo, níveis microscópico, mesoscópico e macroscópico: no ser vivo – células, orgãos, corpo; na sociedade – indivíduo, cidade, planeta )
Há retroações entre esses níveis, o que se dá segundo dinâmicas não-lineares (efeito não é linearmente proporcional à causa). [Hierarquias com anéis de realimentação interna]

Acredito q o modelo de abordagen da realidade que vcs usam não considere este aspecto desta mesma forma. Mas como consideram, como tratam o fenômeno?
Veja a palestra na íntegra: http://www.comitepaz.org.br/74_f%C3%B3rum.htm
Nesta página tem o audio e o power point.
abraços


Lía Goren disse:
Una ocurrencia:
Lo obvio a veces parese tonto sin serlo y quizás lo que vaya a decir sea una tontera, Pero leyendo las respuestas de Augusto, lo que me surge es que el problema de la jerarquía (o las jerarquías) es, probablemente, sólo un problema, un tema, una cuestión "humana". Estamos "programados" para ver jerarquías, para buscarlas. Aprendimos a pensar en términos de jerarquías. El meta programa de aprendizaje que significa esta red sería dejar de pensar en términos de jerarquías, sacarse los anteojos de las jerarquías. Imagino que cuando Viviane dice el río, el ecosistema, el planeta... se refiere a un cambio de foco, como jugar con el zoom de una cámara. Es simplemente un punto de vista, pero el sistema, la red, es siempre todo eso, todo a la vez, todo interconectado. Es el sistema de la vida, todo, con nosotros adentro, no con nosotros de observadores que lo miramos por TV.

Segunda ocurrencia:
Creo que hablar de alguna forma de liderazgo tampoco es útil. Yo retomaría el concepto que usamos los gestálticos que es el de "facilitador". Facilitador de un proceso y toma de contacto por parte de otra persona, para que ella misma pueda "darse cuenta" (y sólo si tiene ganas) de lo que quiere, necesita, etc. El facilitador no desea nada para el otro. No desea ningún tipo de cura, no procura ningún tipo de estado pre-definido como mejor o peor. El único que sabe o puede reconocer lo que necesita es la otra persona.
El facilitador ni siquiera se aproxima a lo que en el libro de La araña y la estrella de mar refieren como el catalizador. Porque el catalizador tiene una intención. Sin embargo, el facilitador aprende una manera de entrar en relación que necesariamente reniega del poder y la jerarquía. Sabe (y debe recordar) que no sabe ni sabrá nunca lo que el otro necesita. No es su tarea y no es sano promover algo para el otro, pues es reafirmar la idea de que hay alguien que sabe más, que es más poderoso, que es más sano o que la perfección es relevante. Eso sería reafirmar la patología de nuestra cultura autoritaria.
Me comprometo a busacar de nuevo en mis libros de Fritz Perls y otros para ver como retomo alguno de esos temas, ahora, desde la perspectiva de lo que aquí se trabaja.

Saludos para todos

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