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Cintia Alves

Estudo de Projetos Sociais Participativos

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Estudo de Projetos Sociais Participativos

Grupo de estudos de caso sobre práticas de projetos sociais participativos.

Membros: 81
Última atividade: 19 Nov

REFLEXÃO SOBRE METODOLOGIAS PARA O DESENVOLVIMENTO LOCAL

Depois de um longo inverno, ou melhor dizendo, ainda nele, resolvi dar uma mexida na proposta deste grupo. Assim sendo, ao invés de estudarmos um case penso que seria produtivo conversarmos sobre metodologias de desenvolvimento comunitário que pressuponham a formação de redes para a garantia da sustentabilidade.
Assim não ficamos engessados na discussão de um único case, mas partiremos para o diálogo sobre a prática de cada um.
Coloquei o texto da Veracel no Fórum proposto pelo Sérgio.
O que acham?

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Cintia Alves

QUAL É A SUA EXPECTATIVA COM RELAÇÃO A ESTE GRUPO? 7 respostas 

Iniciado por Cintia Alves. Última resposta de Isadora Kimura 15 Nov.

Sergio Storch

Listagem de casos de projetos sociais participativos 4 respostas 

Iniciado por Sergio Storch. Última resposta de Cida Medeiros 20 Set.

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Célia Schlithler Comentário de Célia Schlithler em 2 março 2009 às 11:08
Oi pessoal, aqui estou eu novamente.

Em minha opinião, ganhamos mais analisando casos quando os extrapolamos, fazendo relações com outros casos e com nossos conhecimentos teóricos. Preciso lembrar, também, que questões éticas limitam a mim e a equipe do Idis para dar todas as respostas sobre o caso da Veracel ou de qualquer outra empresa com quem trabalhamos.

Trabalho com empresas, institutos e fundações empresariais desde 1997, por isso, conheço bastante as que fazem investimento social. Há coisas muito boas acontecendo! É claro que empresas que só visam a imagem, ou não são coerentes em sua atuação social com todos os seus stakeholders, continuam a existir, mas isso não é o "novo", é o "velho", já tão conhecido por todos.

O novo é que há empresas que estão admitindo o óbvio: elas são parte da comunidade, seus funcionários - de todos os níveis hierárquicos - moram lá, consomem lá, e faz parte de seu cotidiano ver (e ouvir) que há muitas famílias na mesma comunidade vivendo em condições precárias, que as escolas estão precisando de ajuda pra se equipar e capacitar os professores, que a saúde também precisa de apoio, etc. Ou seja, a necessidade de mudança não se baseia em uma visão superior/autoritária da cúpula da empresa, ela é compartilhada pelos moradores! A visão de sustentabilidade, tão em voga, também está contribuindo para que as empresas percebam que tudo pode ser mais interligado, inclusive as pessoas e organizações.

Assim, há casos (como o da Veracel) de empresas que decidem investir no desenvolvimento local de várias formas, entre elas a promoção da articulação em rede da comunidade – entram aqui moradores, membros de associações, professores, funcionários do setor público, Sistema S, funcionários da própria empresa e até de outras. Isso é novo! O que é desencadeado, em termos de aumento no capital humano e social, ficará com a comunidade, mesmo se a empresa não quiser mais investir.

A comunidade já tem, sem sombra de dúvida, muitas capacidades que se desenvolvem mais a partir desses investimentos. Tenho visto, contudo, que a auto-organização e o padrão de redes distribuídas são muito afetados por outros padrões (até pelo velho coronelismo), sobretudo nos municípios menores e mais distantes das capitais. Por isso, as atividades de capacitação/formação de facilitadores de redes (membros da comunidade) têm sido decisivas nos projetos.

Abraços!
Clara Pelaez Alvarez Comentário de Clara Pelaez Alvarez em 1 março 2009 às 11:37
Olá Cintia e demais pessoas do grupo,

Grata pelo convite! Demorei um pouco pois estava refletindo sobre toda esta dinâmica que vivenciamos por aqui.

Talvez porque eu conheça muito bem a dinâmica e a motivação das empresas, tenho um pé atrás com relação a iniciativas sociais disparadas por elas. Mas parece, Cintia, que você também tem lá suas dúvidas a respeito "É legítima a relação peer-to-peer numa rede em que uma instituição definiu que haveria a necessidade de um projeto de transformação na comunidade em que ela está inserida?" o que é algo muito salutar... E "empoderamento" é mesmo a questão central. No caso, além de óbviamente a Veracel (enquanto instituição) quem mais é empoderado?

Penso eu que o que trava o desenvolvimento é a "lógica do quadrado" (Augusto). Não há articulação porque as pessoas simplesmente não se conectam! Então chega alguém de fora e diz: gente que tal se fizessemos isso? Aparece um objetivo (estímulo) e o grupo consegue se articular e criar algo. Tenho esses olhos que buscam sempre o simples no que é aparentemente complexo. Tenho uma crença inabalável (que surgiu do meu estudo das redes) de que as potencialidades são as mesmas para todos. Como diz o Foucault não existem "alijados do poder", existem práticas e mecanismos de poder. Assim é que imagino que as pessoas precisem apenas de oportunidades para que esse potencial possa emergir. Não há, a rigor, nada a se ensinar, só permitir o trânsito de informações... Do resto a auto-organização cuida.

É aí que penso que o estudo das estruturas das redes pode ajudar muito a entender todo esse processo de auto-organização, empoderamento, etc. Justamente pq a análise vai se focar na conectividade entre os nodos que é o ponto central. É dessa estrutura relacional que tudo emerge.
Cintia Alves Comentário de Cintia Alves em 1 março 2009 às 10:51
Célia,
O Osmar já foi "convocado" a participar desse grupo, no entanto, como ele é um dos articuladores da Rede de Teatro do Oprimido e esta é uma semana importante do TO (16/3 é o dia Mundial do TO), pediu-nos um pouco de paciência.
Tenho feito um exercício de investigação com este caso da Veracel que é relê-lo e reler outros cases e artigos relacionados ao assunto, sempre que entro no grupo. Nesse processo tento ver por novos ângulos.
Narrado da forma que está, a sensação é de que a Veracel é uma estrutura sem "rosto", ou seja, não existe um ser humano Veracel, é uma organização que, dentro deste projeto, relaciona-se com pessoas. A minha questão é se o processo de formação de redes estimulado desta maneira não é artificial. É legítima a relação peer-to-peer numa rede em que uma instituição definiu que haveria a necessidade de um projeto de transformação na comunidade em que ela está inserida? Como se dá esse empoderamento? A relação é Veracel X comunidade?
Qual é a participação de cada um dos funcionários da Veracel na Rede A, por exemplo?
Como se deu o empoderamento dos funcionários da Veracel neste processo?
Célia Schlithler Comentário de Célia Schlithler em 27 fevereiro 2009 às 17:47
Olá todos! O diálogo sobre a questão da participação é bem relevante. Acho que vale criar um tópico sobre isso e continuar a conversa por lá.
Quanto ao projeto da Veracel, posso esclarecer alguns pontos, mas o Osmar Araújo (cadê você, Osmar?) continua no Idis e neste projeto e precisa entrar nesta conversa.
Bem, foi a empresa que procurou o Idis, porque teve informações sobre os projetos de formação de redes que já aconteciam. Isso ocorreu depois de a empresa definir sua Agenda de Sustentabilidade e a diretriz Diálogo Social. É claro que as pessoas responsáveis pela área na época (mencionadas no artigo) já vieram com uma visão bastante avançada sobre o papel da empresa no desenvolvimento comunitário.
O projeto levou a mudanças muito positivas no relacionamento empresa-comunidade (dos dois lados), e um fator decisivo foi romper com a imagem de provedores X carentes, muito frequente, como vocês sabem. Isso se deu por causa de vários aspectos da metodologia, como o foco nas forças (e não nos problemas), a valorização dos saberes e olhares diferentes aliada a construção de objetivos comuns, entre outros.
Naturalmente que obstáculos aparecem sempre, como as dificuldades para participar ativamente - em virtude de vários motivos -, a influência das eleições municipais (bravamente enfrentadas pelas comunidades), a dificuldade de acesso a recursos, mudanças dentro da empresa... Mas a comunidade tem muita vontade de agir e o sentimento de pertencimento é muito forte!
O trabalho dedicado e minucioso da equipe - mestres em criar estratégias para a superação dos obstáculos e sempre dialogando com os comunitários - é, sem dúvida, outro decisivo fator de sucesso!
O curso de alfabetização não foi um desvio de percurso. Sempre que as comunidades fazem os diagnósticos são identificadas necessidades e ativos para atendê-las. Neste caso, o que houve foi a agilidade para buscar a solução, antes mesmo de o planejamento ter sido concluído, justamente porque a própria comunidade quis assim, ou seja, se fez escutar.
Cintia Alves Comentário de Cintia Alves em 27 fevereiro 2009 às 15:48
Meus amigos,
Estou muito feliz com toda essa manifestação. Mas eu gostaria que não perdessemos o foco que é um debate sobre o texto em questão. Existem algumas particularidades dessa implantação que parecem relevantes, como, por exemplo, o "desvio de percurso" que foi feito, ao entender que havia a necessidade de alfabetizar uma parte da população envolvida. Dentro de um processo participativo, a escuta a comunidade deve ser frequente para o sucesso do projeto. Quais meios efetivos de escuta podem ser usados?
Eduardo Henrique Ferin da Cunha Comentário de Eduardo Henrique Ferin da Cunha em 27 fevereiro 2009 às 14:12
Cíntia, muito interessante, não só o texto, mas a idéia desse grupo... Tenho uma sugestão... Que tal pensarmos grande e fazer uma publicação de um livro sobre esse assunto... Qualquer dúvida me mande e-mail, ou por aqui ou pelo do SENAC
HEVERALDO GALVÃO Comentário de HEVERALDO GALVÃO em 27 fevereiro 2009 às 12:44
O que eu tenho percebido na articulação e mediação da Rede Social Catanduva, em que trabalhamos com 04 bairros (Pachá, Vila Paulista, Parque Flamingo e Gaviolli) é que a indução ao desenvolvimento local, como metodologia social aplicada, gera respostas e resultados não lineares, difusos, ou seja, as respostas não são homogêneas, e talvez essa seja uma constante. Percebo na experiência prática que a participação de um ou outro ator social, acaba fazendo a diferença para o bairro. Nesse sentido, penso que o papel do mediador é ampliar os espaços de diálogo para permitir a participação democrática. Entretanto, muitos atores precisam aprender a ouvir (curso de escutatória), muito mais do que cursos de empoderamento. As mudanças e quebras de paradigmas devem ser realizadas através de dinâmicas que proporcionem ao participante a reflexão sobre o seu papel na comunidade. Finalmente, respondendo ao Fábio, penso que exemplos de resultados de outras localidades, podem mobilizar a participação comunitária. Fiz em Rio Claro no ano passado uma palestra chamada Redes Sociais como Realidades Locais. Talvez esse tipo de exposição possa dar maior credibilidade às ações comunitárias e consequentemente, ampliar a participação, para novos resultados. É isso. Vamos conversando. Abraços e paz.
Fabio Ignácio Comentário de Fabio Ignácio em 27 fevereiro 2009 às 11:16
Vilma, eu tenho vivido algumas experiências com redes de cooperação nos ultimos anos e minha percepção diante do tema Participação e comprometimento é que estes só se fortalecem diante da perspectiva de resultado a curtíssimo prazo. Evidente que o valor percebido de "resultado" esta muito ligado ao perfil dos atores da rede. Ainda sim, tenho vivido um dilema.. a participação surge diante do resultado ou o resultado surge diante da participação...e mais, qual a relevância do trabalho comportamental neste contexto?
Um abraço
Vilma Ambrosia Jurevicius Comentário de Vilma Ambrosia Jurevicius em 27 fevereiro 2009 às 11:02
Prezad@s membros,
Participação, é meu tema de interesse, que ótimo ter mais pessoas com vontade de entender e compartilhar percepções acerca do que é participação? Como se deu o processo de participação no Brasil ? Por que algumas pessoas participam e outros não ? Qual é o nosso papel e como cada um pode promover espaços de diálogo e participação?
Vamos em frente!
Fabio Ignácio Comentário de Fabio Ignácio em 27 fevereiro 2009 às 8:28
É Célia, quebrar a barreira do assistencialismo é o grande desafio. E mais, se considerarmos que esta mentalidade esta nas duas partes, proponente e grupo atendido o desafio fica maior ainda.
 

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