Escola de Redes

A escola é a rede

Amigos
Imagino um cenário de transformação do voto num processo de aprendizagem democrática. Vejam se estou sonhando, ou se concordam com os fundamentos da proposta.
Seria assim:

1. votação em 2 turnos é melhor do que um turno só, certo? Se houvesse 2 turnos institucionalizados na democracia chilena em 1973, talvez não tivesse havido Pinochet no Chile y otras tantas cosas!

2. e se fosse 3 turnos? ou 4? ou infinitos? ou seja, se cada um pudesse entrar lá no seu votinho e editá-lo depois de ter visto o resultado e querer mudar de ideia? Afinal, votei no fulano para acabar elegendo sicrano! Isso é mais comum ainda nas eleições para os parlamentos do que para o executivo, pois os partidos são sacos de gatos.

3. bem, os ingredientes tecnológicos para isso já existem. Será que isso já foi aplicado em algum lugar? Quem tem exemplos?

4. vejam o aspecto socioeducativo. Depois do resultado de um primeiro turno, os candidatos ainda têm chance de refinarem suas propostas e poderem expor de forma mais adequada. E os eleitores poderão estar motivados para saber mais sobre em quem votaram, já que muitos terão escolhido o candidato na última hora. Já que votei em fulano, levo a cédula dele para casa e vou ver agora se fiz alguma besteira...

Claro que estou falando de um aspecto isolado de todo um sistema político, e seus impactos sistêmicos dependem de uma série de outras variáveis.

Mas tenho muito interesse em conhecer mais sobre o que a ciência política já amadureceu sobre esse tema. Alguns temas que já estudei en passant sobre isso são o Paradoxo de Condorcet e a teoria das escolhas coletivas de Kenneth Arrow.

E acho que aqui há potencial para desenvolvimento de softwares brasileiros, que possam ser utilizados experimentalmente em um município ou outro, até emplacar, e servir até como produto de exportação.

Seria resgatar o valor do voto como instrumento de participação democrática, tornando-o mais inteligente e interativo.

Alguém me acompanha nessa busca?
Se toparem, abrimos tópicos para troca de ideias e estudo de cada um desses dois temas. Que tal, aulas auto-geridas sem professor?

Um abraço
Sérgio Storch

Tags: democracia, voto

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Respostas a este tópico

Muito interessante esta idéia, eu não conheço nenhuma experiência, mas conheço um sistema que poderia incorporar esta idéia: www.delibera.info

Eu gostaria de acompanhar esta busca.

Grato por compartilhar!

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Edu, que bacana!
vamos buscar alguma oportunidade próxima para exercitar um processo deliberativo com essa ferramenta?
Penso propor, por exemplo, ao Movimento Nossa São Paulo e à Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC. Poderíamos formar um time de suporte ao experimento. Teríamos alguém para nos dar suporte de segundo nível?

Um abraço
Sérgio

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Bem, tem alguns casos referente ao aperfeiçoamento do voto utilizando as novas tecnologias que acho que sintoniza com o tema a se estudar:

DEMOEX na Suiça:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Demoex

O VOTO CONTINUO

Link: http://reinehr.org/sociedade/saude-da-sociedade/acao-popular-democr...

A proposta do voto continuo:

" ...- O voto contínuo dá os seguintes poderes ao eleitor que escolheu abrir seu voto:

- Munido do CPF/título de eleitor e senha específica, o eleitor poderá, a qualquer momento, votar a favor da interrupção do mandato do seu candidato eleito, em uma página específica da Internet feita para tal objetivo.

- Quando um determinado patamar de rejeição for atingido (percentual dos votos contínuos daquele representante a ser discutido), o candidato é automaticamente retirado do seu cargo e substituído por um suplente

- Tal medida obrigará o VDS a buscar maneiras de realmente representar quem o elegeu, sendo que temos uma proposta pronta:

- Cada VDS teria uma página pessoal na Internet, onde, antes de cada projeto ou emenda ser votado, o mesmo faria uma consulta popular aos seus eleitores com direito a voto contínuo (ou consulta aberta, a seu critério) acerca de qual posição ele deveria tomar em relação à questão a ser votada.

- A questão da obrigatoriedade do VDS seguir ou não o recomendado pelos seus representados é outra a ser debatida posteriormente e, do ponto de vista aqui apresentado, seria o ideal – sempre, a cada votação nas câmaras legislativas municipais, estaduais ou federais, seria oferecida a possibilidade do eleitor de participar ativamente na decisão de questões que o mesmo julgar importante para si, para os seus, para sua comunidade, para o país inteiro ou para o mundo (questões ecológicas e de utilização de recursos minerais e energéticos, por exemplo neste último caso)

- Novamente, antecipo uma objeção falaciosa que poderá vir a ser feita: “Isso não vai funcionar. O brasileiro não tem tradição ou vontade de participação política tão intensa. Imagine tomar do próprio tempo para votar diariamente ou quase diariamente em questões políticas. Pfu! Isso não vai dar certo.”

- Resposta à falácia: o brasileiro perdeu a vontade de participação ativa pois não vê meios de participar. Não têm forças de, sozinho, enfrentar a corrupção, a bagunça e a roubalheira hoje descarada que se apresenta noite após noite nos noticiários e diariamente nos jornais. A liberdade encontra-se justamente não em ter de votar “diariamente ou quase diariamente”, mas em poder votar e ajudar a decidir algo que julgar importante participar. Hoje nosso ínfimo poder resume-se à escolha do representante que, como sabemos, não nos representa em nada.

- Em um estágio mais avançado de nossa proposta, poderia-se inclusive utilizar o espaço virtual (o website) dos nossos representantes eleitos como um espaço para debate de propostas efetivas para atender às demandas de nossa comunidade. Além de escolher entre o que está sendo legislado, vamos também propor projetos de lei, discuti-las e entregá-las praticamente prontas ao nosso representante para que leve à votação no cenário amplo (municipal, estadual ou federal, conforme o caso). É notório que tal medida requer um quorum participativo amplo e intenso para que desenvolva-se satisfatoriamente, e deverá ser discutido e instalado em um segundo momento..."



Um livro bem interessante sobre o tema:

DEMOCRACIA PURA


Aceito alimentar o assunto.

Abraços João Paulo

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João, que bacana!
Tão poucos ainda, e veja a densidade que já atingimos.
Pelo que li, está quase no ponto de poder ser um projeto de lei, hein? Estou enganado?
Creio que teria apoio de parlamentares de vários partidos.
Alguém aí na rede conhece técnica legislativa?

Não seria difícil encontrar um deputado federal ou estadual ou vereador (pois pode ser uma iniciativa local) que topasse levar adiante um PL com essa proposta.

Vou colocar no ning de minha candidata, hehehe.
E acho que poderíamos convidar cientistas políticos para virem participar dessa discussão.
O que vcs acham?

Um abraço
Sérgio Storch

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