
Wilame Jansen (2009)
Cheguei à Escola de Redes após percorrer um longo caminho. Na
década passada, participei de uma discussão entre instituições para
nivelar conceitos usados no processo de planejamento municipal,
usando o DLIS – Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável. O
projeto era piloto e devia ser executado inicialmente em cinco
municípios de cada Estado. Eu coordenei o projeto, pela Âncora, em
Pernambuco, Alagoas e Paraíba. A Coordenação Nacional era de
Augusto de Franco, desde a formulação do Programa.
Na época havia lido sobre globalização/poder local e estava lendo
alguns filósofos contemporâneos e tudo o que pudesse me ajudar a
acompanhar a busca de uma nova utopia (sou dinossauro, ex-PCB).
O DLIS como me foi apresentado tinha também a ver com o meu
trabalho, cujas palavras chaves eram: sustentabilidade,
planejamento estratégico, metodologias participativas, radicalidade
democrática, cooperação, consenso, terceira onda, terceiro setor,
políticas públicas de terceira geração, as duas faces da
globalização, etc. Portanto, trabalhar com as comunidades locais
nesse Programa foi para todos da Âncora uma coisa muito prazerosa,
porque pudemos constatar na prática o acerto da metodologia
empregada. Sem falsa modesta, o desempenho da Âncora foi destacado
em vídeo pela Direção do Programa.
Na segunda edição do Programa, já sob a coordenação de cada Estado,
fomos convidados a apresentar os passos do DLIS a outras entidades
que, juntamente com a Âncora, executaram a segunda versão do
Programa em Pernambuco. A partir dessa segunda edição, várias
entidades estaduais e nacionais utilizaram a metodologia sugerida
pelo DLIS, muitas vezes mudando o nome ou a sigla.
Posteriormente fiz o curso à distância, com uma parte presencial em
Brasília, “Empreendedorismo Político – Transformando a Arte da
Guerra em Arte da Política”, pela AED – Agência de Educação para o
Desenvolvimento. Esse curso me deu a oportunidade de estudar e
discutir temas, os quais há bastante tempo eram do meu interesse
(palavras chaves já referidas), além de acesso a bons textos de
autores internacionais sobre redes. A partir daí recebo até hoje as
cartas de Augusto de Franco, que constantemente me atualizam sobre
o assunto.
Como se pode observar, o que li sobre redes ou foram textos de
Augusto de Franco ou de uma bibliografia indicada por ele.