Resolvi aceitar o “desafio” do Augusto e preparar e publicar meu
Itinerário de Leitura. Muito mais do que um desafio,
considero um estimulo e um bom exercício de reflexão.
Na relação que faço abaixo listo os principais livros, ligados a
esta temática das redes sociais, que li nos últimos anos, e que me
ajudaram na compreensão desse fenômeno político.
Faço algumas ressalvas antes de passar a relação:
a) Tentarei fazer uma pequena resenha explicando porque em minha
opinião tal livro foi importante.
b) Assim, não tenho a mínima pretensão de abordar todo o livro, mas
apenas emitir algumas opiniões.
c) Nesta primeira versão, estou publicando aqui no Ning –
www.escoladeredes.ning.com
e no meu blog pessoal -
www.carloslopes1.blogspot.com
d) Como sei que farei alterações, com inclusões e retificações, em
próximas versões dessa lista, atualizarei no meu blog e mantenho
mensagem aqui.
e) Também não vou colocar em qualquer ordem, pois não tenho (neste
momento) o mínimo critério para isso (a ordem abaixo foi a ordem da
lembrança).
Vamos a lista:
1) Comunidade e Democracia: A experiência da Itália Moderna -
Robert D. Putnam – Editora FGV
Neste livro, de forma clara, direta e objetiva encontrei e entendi
o que é Capital Social e sua relação com o desenvolvimento. Putnam
fez um estudo que durou 25 anos, comparando o índice de civismo no
sul e norte da Itália. Nos distritos do norte, onde o esse índice é
bem mais elevado, constatou melhor desempenho das instituições e
conseqüente melhor desempenho econômico. Tenho usado os conceitos
apreendidos neste livro para mostrar em apresentações a importância
do Capital Social na promoção do desenvolvimento. Claramente,
incentivar e fomentar a formação de redes é uma estratégia para
investimento em capital social e este é básico para o
desenvolvimento local. (Ver resenha pessoal em
http://carloslopes1.blogspot.com/2007/01/indicao-de-leitura-comunid...)
2) A Democracia na América - Alexis de Tocqueville – Itatiaia
Editora
Em 1834 (se não estou enganado), um político e advogado francês,
Alexis de Tocqueville, ganha uma bolsa para visitar, conhecer e
escrever a respeito da então propalada democracia na América.
Visita durante 6 meses os Estados Unidos e relata sua experiência,
tendo sempre como referencia a cultura aristocrática ainda reinante
na França. Neste livro pude compreender o poder participação
associativa como formador de capital social e de fortalecimento da
democracia. Apesar de que Tocqueville não fala em Capital Social
(ele fala em governo civil), cita varias situações mostrando como
as pessoas se organizavam para resolver seus problemas. Igualmente
gratificante neste livro foi compreender a formação dos Estados
Unidos, ou seja, um grupo de colonos que sai da Inglaterra (em
parte por discordar dos rumos morais aos quais estavam
subordinados) e funda uma colônia no novo mundo. Organizam-se e
dividem entre si as atividades de governo em prol do bem comum.
Quando o número de colonos vai aumentando, organizam-se em cidades,
e estas se juntam em condados, para depois formar os estados (e
estes, num dado momentos, formam uma federação para alcançar a
independência). A ligação com a temática das redes é direta: é a
qualidade da conexão entre as pessoas que faz a diferença no
desenvolvimento (não deve ser por acaso que este país é dos mais
desenvolvidos do mundo).
3) O Ponto de Desequilíbrio - Malcolm Gladwel – Editora
Rocco
Explica como pequenas modificações podem geram mudanças em todo
sistema. Importante para compreender os diversos papeis que as
pessoas podem desempenhar na disseminação de idéias (chama de
eleitos, que são os comunicadores, experts e vendedores) (o que
Augusto tem denominado de hubs, inovadores e netweavers, não com
essa necessária equivalência). Alem disso, no processo de
disseminação de idéias, apresenta os conceitos de “o fator de
fixação” (a própria mensagem) e o “poder do contexto”. Outro ponto
que me chamou a atenção é a apresentação do “Modelo de Difusão de
Idéias” de Everest Rogers, onde classifica 05 grupos de pessoas:
Inovadores, primeiros adeptos, maioria inicial, maioria posterior e
retardatários. Importante para se estabelecer estratégias para a
animação de redes. Percebo grande relação com as idéias de David De
Ugarte apresentadas no livro “O Poder das redes” (listado abaixo).
(Ver resenha pessoal em:
http://carloslopes1.blogspot.com/2007/02/o-ponto-de-desequilbrio.html).
4) Democracia Cooperativa – John Dewey – Editora PUC RS
Trata-se da tradução que Augusto de Franco fez de alguns texto de
John Dewey (o chamado filósofo da América). Importante para se
pensar na democracia não enquanto forma de governo, mas como forma
de vida, ou seja, sendo a democracia não um fim em si mesma, mas um
meio de se viver e pensar. Alguns textos, justamente por terem sido
escritos num frágil momento para o mundo democrático (inicio da
segunda guerra mundial), são muito atuais, quando hoje, muitos
ditadores e populistas modernos tentam solapar a democracia em nome
de uma pseudo maioria. Incluo esse livro por entender que o
ambiente democrático é básico para a existência das redes e
formação de capital social.
5) Cartas Rede Social – Augusto de Franco – www.augustodefranco.com.br
Esse conjunto de textos é auto-definido pelo autor como uma
comunicação pessoal. Com periodicidade quinzenal, nasceram com nome
de Carta DLIS, depois passou a ser chamada de Carta Capital Social
e agora é Carta Rede Social, e podemos esperar novo nome para o
futuro, bem ao estilo de seu autor, dinâmico e aberto a novas
idéias (como devem ser as redes sociais e é o próprio conceito de
rede). E não se trata apenas de uma mudança de nome, mas traz
consigo a dinâmica no entendimento de diversos conceitos ligados a
área social. Quem se dispuser a ler da Carta 1 (17/12/2001) até a
Carta 181 (15/01/2009) vai claramente poder evoluir conceitualmente
junto com o pensamento do Augusto de Franco e vai poder refletir em
temas tais como: capital social, desenvolvimento local, democracia,
rede social, pobreza e política (entre outros). Escritas em
linguagem clara e acessível, o autor vai dividindo com seu público
suas novas descobertas, pensamentos, reflexões, análises e por
vezes sua indignação com alguns fatores. Particularmente só
consegui chegar até o momento até a Carta Capital Social 139
(costumo dizer aos amigos e agora para todos que o Augusto tem
capacidade diversas vezes maior de escrever do que eu de ler) e até
esse número preparei um índice remissivo que pretendo publicar em
breve em meu blog pessoal (
www.carloslopes1.blogspot.com).
Essa leitura não pode faltar para quem trabalha com rede
social.
6) Presença - Propósito Humano e o Campo do Futuro - Peter Senge
/ C Otto Scharmer / Joseph Jaworski / Betty Sue flowers – Editora
Cultrix
Sem duvida, um dos melhores livros que li nos últimos 5 anos.
Apresenta reflexões inquietantes sobre sustentabilidade e
visão/pensamento sistêmico, colocando o ser humano com agente ativo
no processo. Ajuda a questionar nossos modelos mentais consagrados
e nesse sentido, ajuda a pensar melhor sobre a atuação em rede, de
uma forma horizontal e aberta (em contraste ao nosso modelo mental
clássico de pensar em hierarquia).
7) O Poder das Redes - David de Ugarte – Editora PUC RS
O autor aborda a questão das redes distribuídas, principalmente
tendo em vista estratégias de comunicação pelo meio virtual e de
como animar essas redes. Faz um breve histórico (muito
interessante) das mudanças da Rede Social (enquanto sociedade) em
relação às mudanças nas tecnologias de comunicação. Apresenta
ainda, alguns exemplos concretos de mudanças ocorridas tendo por
base as novas formas de conectividade social. Muito interessante
também a análise que faz das motivações (ética hacker) de quem
resolve atuar em rede distribuída. Em resumo, traz questionamentos
avançados do quanto as novas formas de comunicação estão permitindo
novas formas de interação social e de quanto isso vai modificar a
rede social e nossos padrões de comportamento político
(principalmente). (Ver resenha pessoal em:
http://carloslopes1.blogspot.com/2008/09/o-poder-das-redes-david-de...).
8) A Natureza das Economias - Jane Jacobs – Editora Beca
O próprio titulo desse livro, já diz muito do seu conteúdo, pois
aborda as origens da economia, assim como faz uma comparação com
eco sistemas. A sustentabilidade está no centro dos conceitos, pois
podemos aprender com essa leitura que uma localidade é sustentável
na medida em que seu modelo de produção e aproveitamento dos
recursos se aproxima, por comparação, a um eco sistema (uma
floresta tropical, por exemplo). A diversidade presente, tanto num
eco sistema como numa economia está diretamente ligada a sua
capacidade de sustentação. (Ver resenha pessoal em:
http://carloslopes1.blogspot.com/2007/01/indicao-de-leitura-naturez...).
9) Morte e Vida de Grandes Cidades - Jane Jacobs – Editora
Martins Fontes
Com este livro pude compreender de forma muito direta o poder da
interação entre as pessoas e sua relação com o desenvolvimento de
localidades. Jacobs mostra que o olhar vigilante de uma comunidade
influencia o comportamento de seus membros. Esse vigilante não é
necessariamente opressivo ou delator (mas também pode ser), mas
muito mais no sentido de “cuidado”, ou seja, o que Malcolm Gladwel
em O Ponto de Desequilíbrio chamou de Poder do contexto. Como
Jacobs é urbanista, cita diversos exemplos de como a arquitetura de
uma cidade pode influenciar a relação entre as pessoas.
10) Raízes do Brasil – Sérgio Buarque de Holanda – Editora
Companhia das Letras
Importante para compreender as origens culturais do Brasil
(herdadas em parte dos colonizadores portugueses) e entender parte
do nosso deficit de capital social e a prevalência do privado sobre
o público.