
Fernando Dolabela (2009)
Todas as minhas ações profissionais têm por objetivo disseminar o
espírito empreendedor no Brasil e em outros países. Em outras
palavras, vulgarizar a idéia de que sem a capacidade empreendedora
não poderemos combater a miséria, inovar, fazer o PIB crescer.
Esse é meu sonho, com uma dose de loucura para valer a pena. Sonhos
são perigosos porque não se submetem a controle e não têm limites.
É isso que os torna fascinantes e por causa disso são
proibidos.
Para persegui-lo, no início escolhi a educação formal em todos os
seus níveis, da Educação Infantil até o doutorado. O motivo é
óbvio, temos atuar na matriz que influencia mentes e corações.
Outras mídias como teatro, jogos, cinema não foram esquecidas.
Comecei na UFMG, onde criei o curso de empreendedorismo na
graduação em ciência da computação. Mas os números não batiam; com
trinta alunos por semestre levaria centenas de anos para realizar
os meus sonhos. Além disso percebi que o empreendedorismo, sendo a
única arma de combate à miséria, deveria ser propagado não só nas
universidades, mas em vilas e comunidades alijadas da economia, em
periferias e grotões, em sertões e veredas.
Escrevi metodologias, livros, desenhei
softwares e, atrás
deste sonho, consegui até o momento levar o conteúdo empreendedor a
400 instituições de ensino superior no Brasil e no exterior. Criei
uma metodologia para a Educação Básica que já foi implementada em
126 cidades (todas as escolas da redes públicas municipais)
envolvendo cerca de 10.000 professores e 200 mil alunos.
No caminho percebi que o empreendedorismo não se aprende somente em
sala de aula; ele sobreviveu pelos séculos sem ela. É um fenômeno
social e, como tal, propaga-se em redes. É desta forma que os
hábitos, crenças, visões de mundo, atitudes, comportamentos se
modificam.
Nas minhas viagens pelo Brasil, constato fenômenos interessantes.
Surgem aparentemente do nada, em cidades afastadas dos grandes
centros, pessoas que querem fazer algo, pois perceberam que a
capacidade empreendedora é essencial para a melhoria das condições
de vida das pessoas na cidade. Como essa percepção chegou até
elas?
Há algum tempo me interesso por redes. Gradativamente, na minha
empresa, vamos alterando a forma de atuar. Em todos os nossos
projetos a partir de 2008 a criação de uma rede é essencial.
Estamos adotando um novo modelo que se baseia em crenças do tipo: a
cooperação aberta é mais eficiente do que plataformas fechadas,
parceiros são mais sustentáveis que fornecedores; a inovação vinda
de fora é melhor do que a feita a portas fechadas. O nosso site,
www.starta.com.br está sendo
preparado para ser o instrumento dessa nova fase.