
Dalberto Adulis (2009)
ARQUEOLOGIA DAS REDES
Não é fácil fazer um relato sobre meu envolvimento com a temática
das redes, por diferentes razões. Primeiro, porque ele teve início
a quase anos, quando coordenava projetos de pesquisa e consultoria
no CEATS-USP. De lá para cá muita coisa se passou e mudou. Em
segundo lugar, porque a minha relação com as redes já envolveu
aspectos muito distintos, cada um deles podendo ser visto como um
campo específico de atuação (redes e desenvolvimento, redes
sociais, redes e tecnologias de informação, facilitação de redes,
redes e colaboração etc) E finalmente, porque nos dias de hoje é
cada vez mais difícil encontrarmos tempo para dedicar a atenção
necessária às diferentes redes às quais estamos vinculados, entre
as quais, a própria Escola de Redes.
Diante destas dificuldades, acabei adiando tanto a elaboração desse
relato, que talvez uma solução seja iniciá-lo e, pouco a pouco, ir
aprimorando, criando versões mais atualizadas, aproveitando os
recursos que a Internet oferece para este tipo de narrativa.
Então, vamos comecar... Pelo princípio....
Bem, eu já estava começando a escrever o início do meu envolvimento
quando percebi que vou acabar escrvendo um tanto sobre cada etapa.
Ao tentar lembra os principais acontecimentos percebo que há várias
histórias que podem ser contadas, e parece que este esforço pode
ser profícuo, permitindo que eu identifique algumas das principais
aprendizegens nesta trajetória. Sendo assim, acho que vou
publicando aos poucos, etapa por etapa, a minha caminhada neste
campo das redes.
Arqueologia das Redes
1 - Rede de Projetos Sociais na Amazônia – (1996 - 1999)
A minha primeira incursão no mundo das redes ocorreu há 15 anos
atrás, quando trabalhava como pesquisador e consultor fa
FIA/FEA/USP e
CEATS – Centro de Estudos em
Administração do Terceiro Setor. Entre 1995 e 1996 tive a
oportunidade de trabalhar em projetos voltados ao mapeamento de
organizações e iniciativas voltadas à promoção da inclusão social e
formação profissional nos nove estados da Amazônia Legal. Esta
iniciativa, realizada para a SUDAM, foi realizada a partir de uma
metodologia de pesquisa-ação que conciliava levantamento de
informações, engajamento e capacitação de atores dos diferentes
setores atuantes na região. Durante o projeto foram mapeados e
catalogados mais de 700 projetos e 400 organizações que atuavam na
região, permitindo a publicação de um panorâma da atuação dessas
organizações naquela época.
Entre as recomendações no final do projeto destacava-se a
necessidade da criação de uma rede de organizações que pudesse
atualizar, através da Internet, informações sobre as ações sociais
desenvolvidas na região. O apoio à criação dessas redes (de
organizações e de informações) foi o principal objeto do projeto
BIPSAM – Banco Interativo de Projetos Sociais da Amazônia,
desenvolvido entre 1998 e 1999, quando pude realizar pesquisas e
entrar em contato com diversos autores, ativistas e organizações
trabalhando sobre o tema. Quais foram as principais referências
naquela época ?
Academicamente, foi um marco para mim A Sociedade em Rede, de
Castells. Do ponto de vista da atuação prática, no campo da
sociedade civil, era marcante o pioneirismo da RITS, que se
propunha a criar uma rede de informações para as organizações do
terceiro setor além de facilitar o acesso às novas TICs
(tecnologias de informação e comunicação). E no campo do
desenvolvimento, destacava-se os esforços de algumas organizações
multilaterais, interessadas em promover a articulação de redes
entre as organizações voltadas ao desenvolvimento. Na etapa de
prospecção tive a oportunidade de entrar contato com propostas e
gestores de programas do Banco Mundial (
InfoDev), PNUD, BID, UNESCO e GKP
(
www.globalknowledge.org/">Global
Knowledge Partnership), além de participar da
Escuela Latinoamericana de Redes, promovida pela
Internet Society, em
Mérida/Venezuela.
Logo no início do projeto realizamos reuniões com o propõsito de
integrar a
RITS ao projeto,
assim como contatos com outras organizações interessadas em apoiar
projetos desta natureza,, porém, conforme percebemos ao longo do
projeto, ainda não haviam as condições mínimas para se construir
uma rede que dependesse da comunicação através da Internet O
projeto promoveu o envolvimento das principais organizações
atuantes na região, que reconheceram a relevância de uma rede e um
banco interativo de projetos sobre a sua atuação, mas a exclusão
digital na região era tão grande (menos 1% da população com acesso
à Internet), que foi difícil sustentar a rede após o término do
projeto.
A experiência e a aprendizagem obtida neste primeiro projeto no
campo das redes foram marcantes, e posso falar mais sobre elas em
outro momento, mas por hora acho que posso deixar alguns links.
(É surpreendente encontrar esses links através do Google, tanto
depois desses conteúdos terem sido publicados. Isto nos faz pensar
sobre nossas pegadas na Web....)
Website do
Projeto e do Banco de Dados:
http://www.genamaz.org.br/bipsam/index.htm
Noticia na
RETS:
http://www.genamaz.org.br/bipsam/index.htm
Artigo
sobre o projeto na RAU/USP:
http://www.rausp.usp.br/busca/artigo.asp?num_artigo=5
Próximas etapas...
2 – Les Reseaux – Paris - 2000 – 2001
3 – Redes Colaboração e Aprepriação Social das TICs - RITS - 2002 –
2007 -
RITS
4 – Redes para o Desenvolvimento –
ABDL - 2002 - 2007
5 – Liderança e Desenvolvimento em redes –
ABDL - (2007 - ?)