
Silvio Belbute (2009)
Vou resumir para não ficar chato, mas será necessário mesclar um
pouco de biografia:
Desde os 10 anos de idade participo de todo tipo de movimento,
desde a Escola de Líderes Cristãos (mais tarde transformado em
CLJ), o Movimento Estudantil das décadas de 70 e 80 até o
sindicalismo, quando exerci as funções de Diretor de Marketing do
Sindicado das Empresas de Informática do RS, em 2000/2001.
Minha participação nestes movimentos representa minha inquietação
relacionada ao desenvolvimento humano, aquisição e disseminação de
conhecimentos. Estava ali para aprender, para conhecer e depois
transmitir, transformar o conhecimento em algo prático e útil à
comunidade.
Na escola, o ensino curricular padrão não me atraia. E na minha
busca, transformei o colégio em minha casa, aproveitando todas as
ferramentas a minha disposição: laboratórios de física, química e
biologia, biblioteca, audio-visual e a Banda Marcial, onde aprendi
música e a tocar instrumentos de sopro. Minha casa mesmo era apenas
um lugar para dormir. Era a "escola em tempo integral", por minha
conta.
Mas queria mais. Em 1978 arrisquei um curso de programação Cobol e
DBase. Me desiludi, pois sonhava com os computadores da ficção e
fui apresentado aos "cartões perfurados". Somente mais tarde pude
dar vazão ao conhecimento adquirido, já em 1994, quando começa a
Internet no Brasil.
Ali encontrei um meio bem mais eficiente para a troca de
conhecimentos, ainda nos padrões BBS (apenas textos, sem os
recursos maravilhosos de som e imagem que temos hoje). Comecei a
participar de diversos Grupos de Discussão, no padrão dos "Serviços
de Diretório". E já em 1996 instalei o meu "Home Office", com um
"potentíssimo" computador 386, aquirido e distrinchado um e meio
ano antes.
Sempre tentando conciliar a vida profissional com a participação
nos "movimentos sociais", continuava na busca de algo diferente.
Até que em 2005, participando de uma associação de bairro, conheci
o Programa de Governança Solidária Local, que iniciava sua
implantação pela prefeitura de Porto Alegre. Através deste
programa, fui aluno dos cursos da Capacitação em Elaboração de
Projetos e Captação de Recursos (CapacitaPOA). Onde conheci a
Claudia Amaral, grande incentivadora e amiga.
O ideário do Governança Solidária representava aquilo que pensava,
mas não sabia traduzir, como as formas de participação, integração
e interação das comunidades. Formamos então a Equipe de Articulação
em nosso Bairro e logo a seguir fui convidado a ser o Agente de
Governança da Região onde resido.
E desta participação conheci o Augusto de Franco, com quem tive a
oportunidade de trabalhar no projeto Cidade-Rede.
Neste caminho também conheci o David de Ugarte, seus pensamentos e
experiências, durante a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento
de Cidades. E finalmente em junho deste ano participei da
Pós-Conferência sobre Redes Sociais e do lançamento da
Escola-de-Redes, em Curitiba, cujo ponto de encontro e disseminação
é esta ferramenta, mas fundamentalmente as pessoas e suas conexões,
uma a uma.
Continuo inquieto e sedento de conhecimentos. Porém, agora, melhor
preparado para transformar tudo isto em práticas sociais.
Não gosto muito de títulos e rótulos, mas hoje me sinto um
empreendedor social. Ainda e sempre aluno, mas pesquisador,
estudioso, quase um "alquimista", um "tecelão".