
Clara Alvarez (2009)
Vou contar um pouco da minha história e das minhas linhas de
investigação.
Trabalhei durante muito tempo na área de tecnologia da informação.
Sou da época do "bug do milênio", lembram? Para se ter uma idéia,
quando comecei a trabalhar na área, usavamos cartões perfurados...
E olhem, que não sou nem centenária, tenho SÓ 52! Um dia, já lá se
vão uns 25 anos, descobri "O ponto de mutação", do Fritjof Capra. O
que posso dizer é que ler esse livro, para mim, foi de fato um
ponto de mutação. Pouco tempo depois, na dinâmica do meu trabalho,
percebi com clareza que os únicos problemas com os quais lidávamos
eram problemas de relacionamento humano. Na época eu era diretora
de projetos especiais de uma empresa americana e nossos clientes
eram grandes empresas, principalmente na área financeira. Minha
introdução à ciência da complexidade se deu através do livro:
"Complexidade: a vida no limite do caos" do Roger Lewin e do
Instituto Santa Fé. Logo depois conheci o Jacob Levi Moreno, o
criador da sóciometria, num curso sobre psicodrama.
Eu andava muito insatisfeita com minha vida de executiva na área de
informática. Um belo dia, há uns 10 anos, resolvi romper com tudo e
iniciar um novo caminho. Em 2002, tive o "insight" de que seria
possível desenhar e analisar redes de relacionamento. Baseada no
Moreno criei um método de desenho e análise que desenvolvi "na mão"
(tenho até hoje a cartolina cheia de pontos e linhas). Levei uns 10
dias para desenhar os gráficos e certamente me perguntei várias
vezes a que grau minha loucura estava chegando.
Desenhei um software de cálculo NEUROCALC, mas precisava muito de
um software para desenhar graficamente as redes. Descobri então as
SNAs e os muitos softwares já existentes para desenho de redes.
Integrei meu software de cálculo a um software de desenho de redes
e consolidei o método. Criei a Neuroredes, e comecei a colocar a
Neurometria no mercado. Mesmo hoje ainda me surpreendo com a
precisão dos resultados e com os padrões interessantíssimos que
tenho encontrado. A análise de redes é riquissima e nas palavras de
um cliente meu: " não há dinheiro que pague essas
informações!".
Depois de uma análise de redes, quase sempre há a demanda de uma
"solução": o que fazer para tornar a rede mais coesa,
descentralizar o poder, promover conectividade, etc? Aí entra um
desenho de solução, que terá a ver com o contexto e as
especificidades do cliente, mas que basicamente aborda quatro
questões fundamentais: conhecimento, conectividade, memória e
lógica. Depois de implementada a solução, efetua-se nova
neurometria e compara-se com a primeira o que dá um boa visão do
impacto da solução na estrutura da rede. As sucessivas Neurometrias
vão criando um histórico das estruturas relacionais da organização
ao longo do tempo.
Estou trabalhando num desenho para desenvolver um simulador do
comportamento das redes. Ou seja, antes de aplicar um estímulo na
rede (aplicar uma solução), quero saber como a rede vai se
comportar. Descobri recentemente um modelo matemático, desenvolvido
por dois franceses, que cria um sistema de memória evolutiva que se
encaixa perfeitamente no que pretendo com o simulador. Penso que já
tenho quase todos os elementos para fazer esse modelo
funcionar.
Uma outra linha de pesquisas que desenvolvo tem a ver com a busca
de instrumentos que possam provocar uma transformação profunda na
forma como as pessoas raciocinam (lógica). Desenvolvi a técnica de
Neuroteatro usando elementos do teatro do espontâneo do Moreno,
Brecht e Augusto Boal. Atores profissionais representam cenas do
dia a dia que são transformadas e repensadas pelo público.
Tenho "funcionado" isoladamente até agora, então, imaginem minha
alegria quando encontrei esta rede.
Suponho que existam mais pessoas que queiram seguir ou que já
estejam seguindo estes caminhos de investigação. Adoraria encontrar
vocês todos!