A história de como comecei a me interessar por redes sociais
Respondendo a solicitação do Augusto de Franco feita aos membros da E=R para contar um pouco a história de como chegamos até aqui, ou seja, de como começamos a nos interessar por redes sociais. Então, no meu caso...
Em 1994, durante uma turnê de concertos pelo circuito de bibliotecas públicas de Alberta, província do Canadá*, fui apresentado a um novo projeto piloto de comunicação daquela região. Tratava-se de um sistema de fibra ótica conectando todas as escolas e bibliotecas públicas da província numa rede. Na época, o termo “banda larga” (broadband) ainda não existia, mas de fato foi a primeira vez que eu engajei com o que hoje nós chamamos de banda larga.
Me lembro quando o diretor do projeto, Dean Frey (que era parceiro na organização da turnê e continua meu amigo até hoje) me levou até a sua sala e me mostrou o sistema. Ele transferia arquivos enormes, coleções inteiras, de uma biblioteca quase no pólo norte até a cidade onde estávamos (Red Deer) perto da fronteira dos EUA numa fração de segundos para a tela do computador da sala. Mágica! Essa experiência gerou muita expectativa na minha cabeça e me fascinou de tal forma que, poucos anos depois, interrompi minha carreira de pianista concertista para me dedicar à nova fronteira das comunicações.
No começo do novo milênio, montei uma empresa de mídia em Nova York (Watermill) e depois ainda outra (Firebrand) para trabalhar a integração das mídias eletrônicas (TV, Internet e celular), e vi a Internet se tornar na mídia embasadora de todas as outras. O mercado não sabia o que fazer: as métricas de atenção e de cobrança eram fluidas e isso causou muita confusão porque o pessoal tradicional ainda não havia entendido que ninguém controla a Internet e muito menos o comportamento do Internauta. Ficou, então, patente que se o ator manda no teatro, o diretor no cinema e o patrocinador na TV, na Internet quem manda é o público. Essa experiência me fascinou ainda mais do que a que tive em 1994, pois na minha leitura a Internet começava a adquirir uma amplitude política de enormes proporções.
De fato, já na disputa interna do partido democrata dos EUA (primary) em 2000 para a escolha do candidato democrata à presidência da república, o governador de Vermont (Howard Dean) quase ganhou do favorito John Kerry (que acabou perdendo a eleição para George W. Bush). Mas o lance é que Howard Dean fez uma campanha sem dinheiro e com Internet, muito semelhante ao ocorrido com Gabeira nessa última eleição no Rio, e mudou o denominador político daquele país (como a gente hoje sabe, a campanha do Obama em 2008 veio para consolidar esse novo denominador com uma vitória inequívoca).
Retornei ao Brasil em 2006 enquanto os atributos democráticos e horizontalizados inerentes à Internet criavam uma rede cada vez maior de pessoas – com teias dentro de teias e mais teias representadas por blogs, sites, redes colaborativas (wikis) e sociais – que hoje conta com 1 bilhão e meio de seres humanos se articulando livremente na Terra! Nada parecido jamais ocorreu na história das comunicações humanas. O poder de escala simplesmente assustador desse fenômeno da comunicação contemporânea demonstrou o potencial político da Rede e, sendo o Brasil um país com uma massa crítica de 45 milhões de usuários de Internet, me inspirou a criar a rede social www.congressoverde2009.ning.com com a proposta de trazer a dinâmica horizontalizada e a “falta de cerimônia” da rede para dentro do campo político partidário verde na tentativa de democratizar a operação interna do PV.
Paralelamente, estou criando outras redes sociais e colaborativas nas áreas de investimento ambiental e música.
* O Canadá é uma monarquia constitucional e é constituído por 10 províncias e 3 territórios
Caixa de Recados (6 comentários)
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Boa tarde
Tudo bem , voce trabalha com Redes
Aguardo retorno
Riquíssima tua indicação.
Muito obrigado.
Ok. Vou postar uma mensagem para todo grupo SP, para iniarmos esse debate